… nas faculdades particulares é questão de “posicionamento de mercado”, diz ABMES.

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“Se o seu público não percebe um diferencial no produto que você oferece, ele busca aquele de valor mais baixo”, diz Gabriel Mario de Rodrigues, presidente da ABMES (Associação Brasileira de Mantenedoras do Ensino Superior). É essa situação, segundo ele, que está levando faculdades cariocas, como as universidade Gama Filho e Cândido Mendes, a uma crise que levou à greve de professores.

O caso de São Paulo, exemplificado com a Unib (Universidade Ibirapuera), a Universidade São Marcos e a Unisa (Universidade de Santo Amaro), é diferente. Para Rodrigues, o problema das instituições paulistas é a forte concorrência que as leva a praticar um preço de mensalidade abaixo dos custos operacionais do negócio.Os sócios da ABMES estão reunidos em Brasília nesta terça (10) para debater o Censo do Ensino Superior do MEC, divulgado no começo de fevereiro. De posse dos números, o setor vai se reunir para discutir o panorama do ensino superior e tentar antever os próximos passos do setor. O evento será transmitido ao vivo pela web no site da TV ABMES.Crise econômica mundialAté o momento, as faculdades particulares não estão sentindo os efeitos do maremoto financeiro que tomou conta dos noticiários. “Deve afetar [o setor]“, opina Rodrigues. Segundo o Censo, em 2007, 22 milhões de jovens com idade entre 18 e 24 anos estiveram fora do sistema de ensino superior. “Falta um incremento muito grande de financiamento”, completa o presidente da ABMES. No entanto, a crise já é utilizada como motivo do setor para pedir ajuda e novas linhas de financiamento. Um grupo de insituições já está pedindo apoio ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Segundo levantamento realizado pela Folha de S. Paulo, 41,5% das universidade privadas paulistas terão um número menor de ingressantes por conta do desemprego e da crise. O presidente da ABMES reforça que o apoio deve ser dado na ponta do consumidor, e não da instituição. “Penso que é importante buscarmos soluções no BNDES, esse financiamento deve ser dado ao aluno”, afirma. “O ministro da Educação [Fernando Haddad] tem se mostrado sensível a essa questão.” A mobilização em torno das insituições particulares se explica: sete das dez maiores universidades brasileiras são privadas. Segundo a Pnad 2007, divulgada em 2008, três em quatro estudantes do ensino superior pagam pela sua graduação.E a qualidade?Quando indagado sobre a qualidade da educação, o presidente da ABMES tem uma resposta de prontidão: “Precisamos deixar bem claro o que é qualidade na educação.” Para ele há muitos parâmetros que poderiam ser utilizados.“Nas instituições privadas, o objetivo é ter informações e conhecimento para [o estudante ser capaz de] ir para o mercado de trabalho”, explica Rodrigues. “É diferente de uma instituição pública que pretende uma formação mais abrangente, [que quer] formar um cidadão mais crítico.”Nos dados do censo do MEC que serão apresentados aos associados da ABMES, há um ponto que costuma ser motivo de crítica às faculdades particulares: a baixa proporção de professores com titulação de mestre e doutor em relação às universidade públicas. O argumento das particulares é de que nem sempre o docente com mais titulação é aquele que ensina melhor para a realidade do mercado. No entanto, Gabriel admite: “O que acontece? Os doutores e os mestres têm mais tempo disponível para se preocuparem com o conhecimento. Se isso, de fato, é passado para a universidade [para seus alunos], a qualidade do ensino vai ser melhor”. Karina YamamotoEditora do UOL Educação