Duas imagens e duas reportagens dividiram o espaço da midia nessa volta as aulas. Uma um trote violento em uma cidade no interior de São Paulo. Outra um trote solidário.

Resultato do Trote da USP.

trote_usp_Marketing_Educacional

 Resultado do trote da UNIFEB.

trote_barretos_Marketing_Educacional

De forma objetiva é inaceitável que as Instituições Privadas de Ensino Superior mantenham-se marginais a realidade da entrada e saída de seus alunos (mantendo-se alienadas aos processos de Trote e Formatura). Trote é bom! Trote é legal! Trote é branding! Enquanto você tiver trotes sendo realizados, seus clientes estarão celebrando o ingresso na sua instituição. Preocupe-se quando você tornar-se a ultima opção de um sequito de resignados. Mas proiba com expulsão maus exemplos. O lado ruim do trote… e premie o lado bom. Conforme segue abaixo…. 

O lado ruim: 

Sete calouros sofrem trote violento no interior de São PauloSete calouros do Unifeb (Centro Universitário da Fundação Educacional de Barretos), na região de Ribeirão Preto (SP), sofreram um trote violento ontem (22), na primeira noite de aula. Os alunos, todos da cidade vizinha Jaborandi, com cerca de 6.700 habitantes, desceram de um dos dois ônibus da prefeitura, em frente à instituição, e dois veteranos que estavam no mesmo veículo, jogaram um produto líquido, que seria creolina. Em contato com a pele, os corpos dos estudantes sofreram queimaduras de primeiro grau.Carla Fernanda Miguel, 18, estudante do Unifeb, sofreu queimaduras no rosto e no corpo durante troteAs vítimas foram levadas ao Pronto-Socorro da Santa Casa de Barretos e liberadas após os atendimentos. Três estudantes preferem deixar o caso de lado, mas um deles vai levar o caso à Justiça. A direção da universidade alega que, apesar do incidente ter ocorrido fora do campus, o Conselho Universitário analisará o caso e os responsáveis poderão ser advertidos ou até expulsos.O reitor da Unifeb, Álvaro Fernandez Gomes, lamentou o incidente, pois a instituição reforçou a segurança interna (com monitores e até filmagens) e solicitou o reforço da Polícia Militar para o lado externo.

Gomes informou que a universidade enviará um comunicado às vítimas, repudiando o fato ocorrido, e que solicitará a elas as identificações dos agressores, para que o Conselho Universitário possa analisar o caso. A instituição tem 4.500 alunos, sendo 1.200 calouros neste ano.

O lado bom e criativo:

Em trote solidário, calouros da USP fazem “apagação” de livros rabiscadosOs calouros do curso de psicologia da USP (Universidade de São Paulo) passaram por um trote diferente das tradicionais pinturas de guache nesta segunda-feira (22). Com borrachas em punho, eles tiveram que apagar as rasuras feitas por outros alunos em livros da biblioteca da faculdade. A atividade, chamada de “Apaga-ação”, ocorreu pelo terceiro ano consecutivo e faz parte da semana de calouros da unidade.A ideia é colaborar com a conservação do acervo e conscientizar os “bixos” (nomenclatura utilizada em São Paulo para designar os calouros, grafada com “x”) a não rabiscarem os livros. A biblioteca fornece borracha macia e, durante uma hora, os calouros apagam anotações, rabiscos, sublinhados e marcas feitas a lápis nos livros. A cada dia da semana, os novatos têm que ir com uma camiseta de cor diferente; nesta segunda, estavam todos de vermelho. Segundo a diretora da biblioteca da Faculdade de Psicologia, Maria Imaculada Cardoso Sampaio, a ação já contribuiu para a diminuição do número de obras rasuradas. “É importante alertá-los de que o livro é patrimônio público e não deve ser estragado. Além disso, textos com anotações podem dirigir a leitura de quem irá lê-los, e isso não é aconselhável”, diz.Célia Regina de Oliveira Rosa, coordenadora da atividade e chefe da seção de acesso à informação da biblioteca, nota que a apagação surte mais efeito sobre os alunos do que exposições com os exemplares danificados. “Mesmo os livros que sempre eram os mais rasurados, depois do trote, já não vêm tão rabiscados”, afirma. Os livros de Freud, Jung e Winnicott, leituras básicas dos estudantes da graduação, estão entre os que têm mais anotações feitas pelos graduandos.E os veteranos, não sentem falta do trote antigo, com pedágios e festas? De acordo com uma das organizadoras da semana dos bixos, Gabriela Aquino Kleiner, 19, a semana também terá esse tipo de atividade, além de ações solidárias, como doação de roupas e brinquedos. “Dá tempo para fazer tudo. Na matrícula os calouros também foram pintados, mas foi tudo muito calmo. Pode ver que tem muita gente aí que ainda está cabeluda, porque não quis cortar o cabelo, e a gente respeitou”, explica.Apesar do cansaço após um dia inteiro de atividades –os calouros chegaram às 8h e a apagação foi das 16h às 17h30– os estudantes aprovaram a iniciativa. “É interessante, porque é um jeito de fazer sentir na pele o que a gente faria”, diz Gianlucca Vergian Dalenogare, 19. “Eles grifam tudo e depois nem vão ler; por que não pegam um papel à parte e anotam?” questiona a caloura Priscilla Terumi Moraes, 20. “É uma falta de respeito”, completa. “A gente não vai riscar nenhum livro, porque o choque é grande”, desabafa Aline Carrenho, 21. “Até por estarem na faculdade, essas pessoas deveriam saber que não pode [rabiscar]. É uma falta de consciência muito grande”, diz.

Michelle Gallindo, 17, até aproveitaria uma boa rasura: “Se for uma anotação boa, eu até aproveito, mas um livro limpo é mais bonito, né?”, opina.