Max Gehringer é uma unanimidade. Não bastasse ter conquistado o posto de principal colunista de Recursos Humanos dos mais importantes veículos do país acerca de Empregabilidade, Mercado de Trabalho e Recursos Humanos, max gehringer_marketing_Educacional 

tendo alcançado enorme visibilidade por suas colunas em várias revistas, na rádio CBN e no programa Fantástico da TV Globo, atacou de especialista em Futebol e conquistou o posto de principal colunista de alguns do mais importantes veículos do país sobre o tema em ano de Copa do Mundo. Ufa!Max escreve ha anos sobre Mercado de Trabalho na Revista época, numa coluna onde responde as perguntas de leitores acerca de temas relativos a suas profissões e formação para o trabalho. Fomos atras de todas as colunas (lemos todas as suas respostas) e selecionamos aquelas mais importantes para o gestor de marketing educacional, e ao gestor de Instituições de Ensino Superior Privadas, interessado na opinião do mais importante Gurú Brasileiro de RH sobre questões relativas ao seu negócio (foram 40 paginas de respostas RELEVANTES).Nosso primeiro post no TCExp deu-se em Setembro de 2009: http://bit.ly/aBKaNgAqui publicamos as demais Q&A do mestre Max. São as 34 páginas remanescentes. Informações fundamentais para gestores educacionais e uma excelente e gostosa leitura. Assuntos diversos respondidos pelo Oráculo que segundo o próprio, respondendo a pergunta “Gostaria de saber quais as questões mais freqüentes que você recebe”, aponta que é um grande referencial na opção por cursos por pessoas que – ainda – não estão trabalhando:  

R: “Para quem já está trabalhando, o principal tema é “insatisfação” com (1) a função, (2) o salário, (3) o chefe, (4) a empresa e (5) um ou mais colegas. Para quem não está, o tema é “dúvida” com (1) o curso que pretende fazer, (2) o curso que está fazendo, (3) o comportamento em entrevistas, (4) a preparação do currículo e (5) aquela sensação de “estou perdido e sem rumo”. De cada dez consultas, oito envolvem uma dessas questões” (sic).    Estou em dúvida entre um mestrado e um MBA… –  K.L.     Se você tem em mente uma carreira acadêmica, ou como profissional liberal, opte pelo mestrado. Se seu foco for uma carreira em empresas privadas, pelo MBA.     Por que as mulheres não têm as mesmas oportunidades que os homens no mercado de trabalho?     Elas têm. Apenas ganham menos que os homens. Ainda. Os salários femininos estão 35% abaixo da média dos masculinos para funções equivalentes. Mas não é um fenômeno brasileiro. Na Alemanha e na Inglaterra, a disparidade salarial chega aos 25%. A situação muda quando avaliamos não dados estáticos, mas a evolução da situação. Em 1970, só 18% das brasileiras estavam no mercado de trabalho. Hoje, esse número está perto de 50% e bate os 55% na Grande São Paulo. Nas faculdades, há mais mulheres matriculadas que homens. E um professor de uma universidade paulistana me forneceu um dado revelador: em média, os homens faltam a 17% das aulas. As mulheres, a 4%. Algo me diz que, aos poucos, as mulheres ocuparão cargos mais altos e os salários vão se igualar, embora não do jeito que gostaríamos. Como elas serão maioria no mercado de trabalho e continuarão aceitando salários menores, puxarão para baixo os salários masculinos de admissão. Isso será bom para as empresas, porque o custo da mão de obra cairá. Será relativamente bom para as mulheres, porque o salário delas subirá. Ao contrário do que a situação presente parece mostrar, os jovens do sexo masculino é que deveriam estar mais preocupados.    Estou insatisfeito com o rumo de minha vida profissional. Vale a pena arriscar uma mudança radical? Mudar de área, fazer outro curso ou mesmo me tornar autônomo?    Essa mosquinha da mudança costuma picar profissionais ali por volta dos 40 anos. É nessa idade que os questionamentos sobre a carreira ficam mais fortes, porque o que deveria ter acontecido não aconteceu, e a impressão é que só uma virada radical colocaria as coisas nos eixos. Empregados consideram abrir um negócio próprio e microempresários querem retornar ao mercado de trabalho. Professores pensam em ser executivos, e executivos em se tornar professores. Mudanças radicais podem funcionar, desde que quatro critérios sejam observados. Primeiro: mude por uma oportunidade, não por uma desilusão. Não mude porque você não gosta de seu chefe ou de sua empresa. Segundo: não mude só porque você conhece alguém que se deu bem fazendo algo que você acha que também poderia fazer. Terceiro: não mude sem entender bem as exigências da nova carreira. Ter vontade é bom e ser otimista também, mas cada carreira tem suas exigências específicas. Quarto – e mais importante: não chute o pau da barraca. Não minimize o que você já conseguiu. Pense na mudança como um projeto progressivo. Prepare-se para ela fazendo cursos e – principalmente – estabelecendo contatos com pessoas da área. Sempre é possível recuperar o tempo perdido, mas mudar sem planejamento adequado normalmente resulta em mais perda de tempo.    Sinto um nó na garganta quando leio artigos sobre pessoas, com minha idade e minha formação, que estão obtendo sucesso profissional em empresas. Por que eu não consigo ser tão bem-sucedida como essa gente? – L.M.C.    Esse nó significa que você talvez esteja adotando a exceção como se fosse a regra. Se você fizer uma lista de todas as pessoas que conhece e comparar o que elas conseguiram na carreira com o que você conseguiu, muito provavelmente descobrirá que está situada na média, ou um pouco acima dela, tanto em termos de função quanto de remuneração. Sua lista também revelará que 5% de seus conhecidos, se tanto, sobressaíram e estão um pouco à frente dos demais, enquanto outros 5% se mostram desanimados, sem perspectivas e sem rumo. Só que os artigos sobre sucesso sempre usam o topo como referência. E aquele profissional que aparece na foto que ilustra o artigo, sorridente e com pose estudada de bem-sucedido, é mais minoria ainda – ele representa uma fatia de 1% dos 5% – ou um em cada 2 mil. Segundo o IBGE, o Brasil tem cerca de 5 milhões de empresas privadas, desde gigantes com mais de 50 mil colaboradores até micronegócios com apenas um funcionário. Juntas, elas empregam perto de 30 milhões de pessoas. As cem maiores – aquelas que costumeiramente aparecem nos artigos que você menciona – respondem por 2% dos postos de trabalho, ou 600 mil vagas. Nelas, há 30 mil profissionais (ou 5%) que ocupam cargos de liderança e recebem mais de 15 salários mínimos por mês. Mas o olimpo dessas empresas acomoda não mais de 600 executivos com vencimentos superiores a 120 salários mínimos mensais – atualmente, 50 pilas, ou 1.000 onças-pintadas. Considerando-se todas as empresas privadas do país, chega-se no máximo a 20 mil profissionais que, de fato, estão conseguindo extremo sucesso – considerando-se que “sucesso” geralmente é percebido como “salário de deixar o papa com inveja”. Porém, ao ler um artigo, ou um livro de auto-ajuda, fica aquela impressão de que as chances são muito maiores do que realmente são, e a consequência é certa frustração, igual à que você está experimentando. Como, em sua mensagem, você informou que ganha o equivalente a sete salários mínimos, você parece não ter consciência de que está bem mais próxima do topo da pirâmide do que da base (ainda segundo o IBGE, a média geral é de 3,2 salários). Isso quer dizer que, proporcionalmente, você é um sucesso, embora não se tenha dado conta disso. Para a pergunta seguinte – como você sai do patamar em que está para ingressar no seleto clube dos 20 mil estupidamente bem-sucedidos? – não há uma resposta exata. Como você mesma disse, “essa gente” não possui grandes diferenciais que saltam à vista. Uma parte nem sequer concluiu o curso superior. Existe também o fator “sorte”, que se manifesta quando a preparação adequada cruza com a oportunidade. Outro fator, hoje em dia menos valorizado do que deveria ser, é a estabilidade. Das pessoas bem-sucedidas que eu conheço, a maioria teve, no máximo, três empregos nos primeiros 15 anos de carreira. E 30% delas continuam na mesma empresa em que começaram. O talento e a criatividade podem ter contribuído, mas essa gente de sucesso foi, acima de tudo, paciente, persistente, extremamente dedicada e consistentemente produtiva. Quatro coisas que qualquer pessoa pode ser.    Sou formado em Direito. Ao saber que empresas estão procurando técnicos, comecei a fazer administração… – A.C.M.    Administração não é curso técnico. É graduação superior. Cursos técnicos são aqueles anteriores à graduação, como técnico em contabilidade ou técnico químico. E, de fato, empresas estão à procura de técnicos, porque a maioria dos jovens decide pular esse importante estágio e partir direto para uma faculdade.   

 Qual é a formação mais indicada para quem deseja trabalhar em um grande banco? – D.G.   

 Se for alguma formação ligada à área financeira ou contábil, seria melhor, mas bancos não fazem restrições a bacharéis em Direito, administração ou engenharia. Na verdade, eles procuram gente capaz de trabalhar em equipe e de suportar uma pressão contínua por resultados. Isso depende muito mais de cada indivíduo que de sua formação.    Estou realizando um antigo sonho de fazer pós-graduação no exterior. Para isso, tive de pedir demissão de meu emprego. Depois de um mês, comecei a cair na real. Vou ficar dois anos fora do mercado brasileiro de trabalho, e estou com 40 anos. – S.M.     Faça e mantenha contatos enquanto você estiver aí. Tantos quantos você puder. Com seus colegas e chefes da empresa em que trabalhava e com qualquer um cujo nome você lembre, incluindo o pessoal da faculdade de 15 anos atrás. Escreva dizendo em que país você está e coloque-se à disposição, mas sem mencionar trabalho. Se você conseguir manter uma correspondência estável com umas 30 pessoas, poderá começar a falar em emprego quando faltarem três meses para a volta.  

 Concluí Biblioteconomia, e penso fazer uma pós em Ciência da Informação, para aumentar minha empregabilidade… – B.M.     Epistemologicamente, são cursos congêneres. A ciência da informação é a aplicação de recursos tecnológicos à biblioteconomia, que hodiernamente abrange tanto os livros analógicos quanto o universo digital. Se sua graduação foi adequada, você já aprendeu isso. Seria melhor você fazer um MBA, que lhe agregaria conhecimentos de administração e aumentaria suas chances de trabalho em outros setores, porque o mercado para biblioteconomistas ainda é restrito no Brasil.   

 O que seria mais indicado: uma viagem de turismo ao exterior para aperfeiçoar o inglês ou um curso no Brasil? – W.H.T.     Quando o entrevistador lhe perguntar “What are your earnings?”, a origem de sua fluência será irrelevante se você não conseguir diferenciar earnings de earrings. A vantagem do curso é que você terá professores para corrigir seus erros. A vantagem de ir para o exterior é que você se divertirá bem mais. Se você não for com a falsa impressão de que conseguirá facilmente um emprego ao regressar, então vá, aprenda e se divirta.    Meu marido e eu levamos um susto quando lemos que cursos técnicos geram mais empregos que faculdades e cursos posteriores de nível mais alto. Estamos tentando dar a nosso filho uma educação acadêmica diferenciada… – N.G.F.  

 Muitos pais incentivam os filhos a concluir quanto antes um curso superior, mesmo que, para isso, seja necessário pular o estágio intermediário, o do curso técnico. Essa preocupação, sem dúvida louvável, acabou criando um hiato no mercado de trabalho. Estão faltando técnicos, e sobrando bacharéis. Por isso, técnicos se empregam mais facilmente, numa aplicação da lei da oferta e da procura. Mas não se assustem demais. Uma formação realmente diferenciada (em faculdade de primeira linha, com prestígio junto a recrutadores das empresas) ainda se constitui em uma vantagem.