Necessidades, expectativas e desejos. O que querem os jovens da América Latina.
Seis demandas foram detectadas para a construção de uma agenda em comum: Educação, Trabalho, Transporte, Cultura Segurança e Ecologia.
O relatório completo encontra-se em anexo para download, após o resumo abaixo.
Especificamente o que querem e o que pensam os(as) jovens que participam de organizações e movimentos juvenis na América do Sul? A pergunta orientou a pesquisa qualitativa Juventude e Integração Sul-Americana, coordenada pelo Ibase e Pólis, que ouviu, ao longo de 2007, 960 jovens e especialistas em juventude em seis países da América do Sul: Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai, Chile e Bolívia.
Por meio de grupos de discussão e entrevistas, os(as) pesquisadores(as) ouviram desde cortadores de cana (Brasil), passando por integrantes de movimentos hip-hop e estudantis até jovens empregadas domésticas (Bolívia). Foram identificadas seis demandas principais, sendo que educação de qualidade (com ênfase na formação profissional), seguida por trabalho decente, é a principal. Há ainda: ecologia, cultura, segurança e transporte (esta última foco das maiores mobilizações recentes de jovens na América do Sul).
O objetivo do trabalho que tem o apoio do International Development Research Centre (IDRC, do Canadá) e foi executado por instituições locais de pesquisa é levantar subsídios para a criação e aperfeiçoamento de políticas públicas voltadas para os jovens, especialmente no âmbito do Mercosul (que desde 2006 possui uma instância específica para a formulação de políticas para este segmento). Também foram elaboradas recomendações aos órgãos governamentais que lidam com políticas para a juventude nos países pesquisados. Sobre Educação e Trabalho, segue um resumo:
Educação:
– A demanda mais presente nas agendas dos segmentos juvenis estudados foi a educacional. A questão da educação se mostra de forma recorrente no vocabulário dos jovens.
– O que principalmente se destaca na fala dos jovens é o reclamo por uma educação pública, gratuita e de qualidade, ainda que suas demandas nessa área se expressem com distintas configurações.
– Os dados demonstram que a universalização do acesso, ou seja, o oferecimento de condições iguais de oportunidades de ingresso, que é uma conquista dos setores mais empobrecidos das populações sul-americanas, não conseguiu responder às desigualdades geradas pelos sistemas educativos. A seleção (inclusão/exclusão) não é mais feita no acesso à escola, mas no seu interior, na trajetória educacional, gerando novas práticas: o desempenho individual, a competição, o chamado fracasso escolar.
– Os jovens denunciam a transitoriedade dos programas, muitos sem o mínimo de garantia de continuidade, que se iniciam gerando grandes expectativas e acabam por desapontar o jovem, levando-o a desacreditar, mais uma vez, na possibilidade de oportunidades.
– Na visão dos jovens, a qualidade pressupõe não só equipamentos e recursos humanos, mas também a aproximação entre educação e qualificação profissional.
– Essas demandas estão nas agendas não apenas de jovens trabalhadores, como o Movimento dos Trabalhadores de Pie (desempregados, na Argentina) e os trabalhadores rurais no Paraguai e do Brasil, mas também nas de jovens vinculados ao hip-hop, do Brasil e da Bolívia.
– A continuidade da formação escolar é vista como modo de conquistar melhores oportunidades de trabalho.
– Os jovens cortadores de cana no Brasil alertam para a necessidade premente em encontrar formas de conciliar trabalho e estudo. De fato, via de regra, os jovens canavieiros entrevistados no Brasil tinham em comum a experiência de abandono da escola. No grupo entrevistado, 80% abandonaram os estudos entre a terceira e a sétima série;
– Entre as variáveis que mais se destacam no que se refere às explicações para o abandono escolar nos países destacam-se: dificuldade de transporte (gratuidade e fácil circulação), migração e conjugação entre o trabalho e a escola.
Educação Recomendações
Mais qualidade para garantir mais aprendizagem nos moldes do século XXI.;
Garantia de continuidade do processo de escolarização para além do ensino fundamental. Os jovens se preocupam em ter acesso aos níveis secundário, técnico-profissional e universitário;
Maior flexibilidade nas grades curriculares e nos horários para atender diferentes situações de trabalho e condições de vida. Os jovens querem uma escola que caiba na vida.
Trabalho
Nas 19 situações estudadas, a questão do trabalho está presente de forma contundente.
– De um modo geral, percebe-se um movimento bastante forte de jovens buscando oportunidades no mercado de trabalho, tendo como resposta a precarização das condições de trabalho, o desemprego e um conjunto de discriminações ditadas pelo fato de serem jovens.
– A demanda focalizada pelos jovens não é simplesmente por trabalho, mas, sobretudo, por um trabalho decente, colocando como pontos básicos para se discutir o tema a remuneração, a estabilidade e os níveis e graus de informalidade.
– De maneira geral, percebem-se jovens profundamente apreensivos pelo ingresso no mercado (o desemprego entre jovens de 15 a 24 anos é de 16% na América Latina, contra uma média de 5% entre adultos de acordo com dados da OIT e CEPAL).
– Para os jovens de todas as classes e situações sociais, a pressa parece estar relacionada com a consciência de que, submetidos às transformações recentes no mercado de trabalho, o diploma não é mais garantia de inserção produtiva condizente com os diferentes níveis de escolaridade atingida.
– Um dado importante refere-se ao impacto causado pelas mudanças tecnológicas, que alteram significativamente o mercado e criam nichos de emprego onde predominam trabalhadores jovens (como no caso do telemarketing, em São Paulo — em 2006, se chegou a cerca de 675.000 empregados no setor, sendo que 72,5% dos trabalhadores são jovens entre 15 e 29 anos problemas de saúde são freqüentes, principalmente as doenças psicossomáticas e de esforço repetitivo)..
Trabalho – Recomendações
Investimento em políticas de ampliação das oportunidades de trabalho para os jovens;
Controle rígido das condições de trabalho – salubridade, segurança, condições materiais e legais, adequação e respeito à diversidade (gênero, cultura etc.); remuneração, alimentação, carga horária etc. – oferecidas aos jovens;
Investimento em educação e formação profissional adequadas às demandas do mercado de trabalho;
Garantia de acesso aos meios e bens de produção;
Garantia de espaço para as iniciativas e organizações alternativas e de pequeno porte, principalmente no meio rural, onde a expulsão dos pequenos agricultores afeta sobremaneira os jovens.
Download:
Relatório_8_Sulamericano



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Saudações bloguistas,
Vieira