Artigo publicado em duas partes no CM News de 28/8 a 30/8. Reduzir as estrategias de Marketing na Internet apenas ao uso de seus canais promocionais é enxergar 25% de todo o seu potencial.

Mix_de_Marketing_Educacional 

Apertar ainda mais a lente fragmentando esses canais de promoção aos Banners nos Veículos de Propaganda (apenas) ou aos E-Mails do Marketing Direto, é enxegar uma pequena mordida em 1/4 daquela pequena fatia de 25% de um saboroso bolo …

A Internet revolucionou o advertising (a propaganda) e – ainda mais – o marketing direto. Se estivessemos em uma partida de futebol, no entanto, marcamos 2 gols aos 10 minutos do primeiro tempo e estamos jogando apenas o 15°minuto nesse momento, enquanto você lê essas palavras. Ja podemos desfrutar o ótimo placar, mas ainda temos muita peleja pela frente.
A criação das ferramentas de anuncios em mecanismos de busca permitiu a redução dos custos com propaganda de forma significativa em muitas companhias por otimizar o investimento em mídia. De certa forma paramos de Gerar a Necessidade e passamos a figurar no momento em que o desejo desperta na cabeça do consumidor.
O cliente proveniente desse canal (Anuncios em Mecanismos de Busca) custa – em média – 8 vezes menos que o cliente oriundo de ações de Mala Direta; 6 vezes menos que o cliente oriundo de ações de e-mail marketing e 5 vezes menos que a propaganda por meio da publicação de banners em portais de informação. A frase creditada a David Ogilvy, ainda que citada originalmente por John Wanamaker, “metade do dinheiro gasto em propaganda é desperdício, o problema é que eu não sei qual metade”, aos 15 minutos do primeiro tempo, torna-se um pouco menos verdadeira.
A Internet integrada a programas de CRM tambem dinamizou o marketing direto. As antigas listas de endereço, compradas de editoras, cujo poder de segmentação no máximo apontava a Escolaridade dos receptores, foram agregadas para a criação mensagens customizadas em um nível de personalização inimaginável, ha poucos anos, para quem adquiria os endereços de assinantes da Você S/A.

Toda essa revolução em uma mordida de uma fatia do bolo.

Contudo o bolo é um confeito bem maior. A internet é, na verdade, um simulacro da realidade onde cabemos todos e – cada vez mais – cabem nossos endereços, a nossa lista de amigos, nosso histórico financeiro, e infinitas informações sobre nós. Segundo o dicionário “simulacro” é a imagem feita à semelhança de uma pessoa ou coisa, especialmente sagrada (sic). Também chamado também de “Metaverso” permite – em boa parte – o espelhamento de estratégias do mundo concreto no ambiente virtual entre bits e bytes.
Utilizar a internet como canal de propaganda e marketing direto, portanto, sob a perspectiva de marketing é fazer uso de pouco mais de 12,5% de seu potencial.
O Marketing é uma disciplina transversal e precisa atuar em todos os componentes da presença institucional no Simulacro. Da arquitetura funcional do site (acessibilidade e convergência que são temas centrais dessa discução), aos Ambientes Virtuais de Aprendizagem. O gestor de marketing precisa compreender que o mundo real é complementado pela presença on line em um país onde de cada 100 habitantes, 37 estão on line. Um número que aproxima-se de 100% quando são considerados universitários e jovens de forma geral e com um agravante: os usuários brasileiros estão entre os que passam mais tempo conectados em todo o mundo. São horas por semana para trabalho, estudo, entretenimento, pesquisa, namoro, compras …
O campus deixa de ser físico, apenas, e passa a contar com sua extenção remota no Metaverso. Sendo utlizado por sua comunidade com uma frequencia (em muitos casos) maior. Na sede de concreto, o primeiro ponto de contato de um desavisado visitante é uma recepcionista educada que lhe encaminhará ao seu destino – dentro do prédio – com um sorriso nos lábios. Digamos a sala do coordenador de curso. Tente, agora, encontrar esse mesmo coordenador de curso no web site de sua faculdade. Nem o Google Search dá conta do recado em muitas instituições.
Assim como o campus está virando e-campus (em 1997 Peter Drucker previu que os Grandes Campi Universitários seriam “relíquias” dalí a 30 anos) o curso está mudando. Mudam os alunos (a geração x cede lugar a geração seguinte no caminhar da humanidade), e mudam os professores. Em cima do tablado a geração x – também – cede lugar a geração seguinte. A maior parte dos professores, hoje, tem menos de 44 anos. A imagem do profissional refratário à tecnologia vai ficando para trás. Os mais velhos dessa fatia jovem, estava com até 27 anos, quando em 1993 a internet começou a dar seus passos largos. Outros tantos estavam viviam a adolescência naquele ano.
Grafico da Distribuição de Idades entre Alunos Ingressantes e Docentes.

Idades_Alunos_Universitarios_Marketing_Educacional

Com o espirito renovado a sala de aula passou a ter uma nova configuração bem longe da lousa, da palmatória e do giz branco. Começou com “os trabalhos podem ser entregues por e-mail” (sic) e virou algo maior.
Hoje os ambientes virtuais de aprendizagem contam com Fóruns de discussão; Audi-Vídeo-Chat-Conferência; Comunicador instantâneo; FAQs Inteligentes; Ferramentas Wiki; Mobile Learning; Multimídia; E-Mural; Sala de aula virtual; entre inúmeras traquitanas que juntas permitiram que a educação deixásse de ser sincrona, imóvel, inerte e baseada na interação aprendiz-mestre, apenas.
O ultimo pedaço da torta.
Por fim, questões relacionadas a formação de preço precisam considerar não apenas essa reestruturação de custos (do composto promocional, do produto e do ponto de venda que ganharam mobilidade) como também do escalonamento proporcionada pelas Redes Sociais. Cada vez mais os vinculos criados pelos softwares de homofilia permitirão que pessoas com desejos afins formem Redes Sociais de Consumo.
Somos pioneiros em redes sociais no Brasil. Enquanto o Facebook era um projetinho rascunhado em Harvard, o Orkut agremiava milhões de usuários no país. Isso em 2004. Seis anos passaram-se desde o boom inicial, e muito se fala do desgaste do conceito de Redes Sociais.
O ouvido médio da audiência despreparada cansou-se da expressão “Redes Sociais”, seis anos depois, sem entender que essa moda virou uma tendência, há muito. E que essa tendencia consolidou-se em uma revolução social de grande impacto, como foi a revolução causada pelo primeiro E-Mail disparado nos anos 90. Sentida em tempo real. Agora mesmo.
Estamos no olho de um furacão e muitos acreditam que as Redes Sociais passaram como efêmera brisa de verão. Pessoas de costas para a entrada da caverna, de onde conseguiriam enxergar o desfile das seguintes estatísticas:

Redes_Sociais_Marketing_Educacional

Além de crescerem, MUITO, entre 2009 e 2010, as Redes Sociais vêm tornando-se especializadas.
Assim como o Primeiro Ford “podia ser de qualquer cor desde que ela fosse o preto”,nas palavras de Henry Ford, as Redes Sociais hoje são genéricas e com baixa segmentação e clusterização. Cabem nos perfís Orkut e Facebook de um usuário seus parentes próximos e distantes, amigos de infância, adolescencia e vida adulta, colegas de trabalho, paqueras e estranhos completos. No Brasil.
Mundo afora as redes vem adquirindo nuances finas e orientadas, como o Linkedin, focado em relacionamentos profissionais e que possui 60.000.000 de usuários no mundo (0,5% brasileiros).
São redes sociais enormes para todos os temas. Apenas daquelas com mais de 20 milhões de usuários (o orkut possui 180 milhões e é 8 vezes maior que o Facebook no Brasil), existem desde comunidades especificas orientadas a Ex-Colegas de Escola Russos, até Afro-Americanos, Fãs de Filmes, Consultores Familiares, em uma Cauda Longa que termina em redes sociais especializadas em Programação de Softwares Livres, Ecologia, Fervorosos Católicos e Mussulmanos, Amantes de Livros, Turistas, 331 mil Fazedores de Crochet, 1.2 milhões de Mães, 1.9 milhões de Vampirólogos, 15 milhões de pessoas interessadas em sua Genealogia.
Mais abaixo nessa longa cauda residem as Private Social Networkings. Redes sociais de empresas multinacionais e de Alumnis de Universidades por todo o mundo. São 2.000.000 de redes sociais diferentes desenvolvidas apenas pelo site Ning (site especializado na construção dessas interfaces) que aglutinam mais de 40 milhões de usuários.
Essa Longa Cauda se inicia com:
- a maior rede social do mundo Facebook (350 milhões de usuários);
- segue pelas 27 redes (mais de 20 milhões de usuários),
- 41 redes (mais de um milhão de pessoas)
E termina nas milhões de redes, em média com 20 participantes do Ning ou desenvolvidas por softwares houses. No final do dia essas redes sociais irão transcender sua natureza ludica e passarão a munir de poder seus usuários.
Comunidades de Futuros calouros em Administração de Empresa – ZL / SP negociando (leiliando em muitos casos) seu ingresso coletivo em instituições de ensino superior, concessionárias de automóveis e onde mais a Oferta for maior que a Demanda.
Clubes de Compra de fato no lugar dos usurpadores varejistas que aglutinam sob essa égide prateleiras de produtos de baixo valor e deturpam esse, que deverá ser o proximo grande movimento da web. E aí, nessa hora, a Pergunta do Milhão será outra:

- “Como manter grandes margens de lucro frente a um grupo poderoso de consumidores em rede?”