Primeiro veio a feminilização do Ensino Superior com a predominância das mulheres nas universidades brasileiras. Uma tendência que veio para acabar com a injustiça histórica de uma sociedade dominada (desde sempre) por homens.  Ainda ha muito a ser feito, mas as mulheres eram, em 2009, segundo dados do Censo do Ensino Superior 55% das matriculas – mais importante – 59% dos concluintes!

O Ministério da Educação por meio do fomento as polêmicas “cotas”, vêm fazendo uso do Ensino Superior como ferramenta de correção de uma outra aberração histórica: a assustadora predominância de brancos, em uma sociedade com uma enorme participação de negros.

E pensar que ainda persiste o pensamento contrario as cotas. O fato concreto é que as Politicas Afirmativas foram algumas das mais importantes ações provenientes do MEC nos últimos anos. Ainda que a reserva de vagas tenha sido um fator importante, o principal motor do acesso aos negros a acadêmica, veio por meio de seu acesso as vagas das IES Privadas, reforçando seu papel na democratização do Ensino Superior no país.

A matéria abaixo, foi publicada hoje na Folha de São Paulo.

Dez anos após a implantação das primeiras leis de cotas no país –no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul–, ao menos ou 23% das vagas em universidades públicas são reservadas para políticas de ação afirmativa.

O dado é de um estudo do Grupo de Estudos Multidisciplinares de Ações Afirmativas (da Universidade do Estado do Rio de Janeiro).

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Isso representa cerca de 54 mil vagas. Porém, foram as instituições privadas as principais responsáveis pelo aumento da proporção de pretos e pardos no ensino superior.

Dados tabulados pela Folha a partir da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios do IBGE mostram que, no ensino superior, a proporção de autodeclarados pretos e pardos cresceu de 21% para 35% de 2001 a 2009.

No ensino superior público, o aumento foi de 314 mil para 530 mil, uma variação de 69%. No privado, o crescimento foi de 264%, de 447 mil para 1,6 milhão.
No total da população, a proporção desses grupos variou de 46% para 51%.

O sociólogo Simon Schwartzman, presidente do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade, lembra que o aumento da proporção de pretos e pardos já havia acontecido no ensino médio por causa da expansão das matrículas nesse setor.

“No caso do ensino superior, como foi o setor privado que mais cresceu, foi nele também que ocorreu o maior aumento de pretos e pardos”, afirma.

PÚBLICAS


Entre as 98 universidades públicas do país, 70 adotam alguma ação afirmativa, segundo o estudo da Uerj.

Uma dessas vagas foi ocupada pela médica recém-formada Mariana Ribeiro, 27, na Uerj. “Na minha turma, não vi grandes disparidades entre os que passaram via cotas e os demais”, afirma ela.

“É um processo que leva tempo. Corrigir tudo pela política de cotas é difícil, mas ela é melhor do que o que tínhamos antes, que era nada”, afirma João Feres, um dos autores do estudo.

Hoje, ao menos 18 universidades públicas já formaram cotistas. Sete delas fizeram avaliações.

Na UnB e nas universidades do Estado do Rio de Janeiro, da Bahia e Estadual de Londrina os alunos cotistas tiveram resultados quase iguais aos dos não cotistas.

Na Federal de Juiz de Fora (na área de ciência e tecnologia) e estadual de Montes Claros o desempenho dos não cotistas foi superior.

Já na Universidade Federal da Bahia, eles tiveram avanço superior aos demais durante os cursos.